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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as crianças estão se movimentando muito menos do que o recomendado. Se nada for feito, essas mesmas crianças, que hoje têm entre 3 e 5 anos, serão as primeiras gerações que viverão menos do que os pais. De acordo com dados do IBGE, no Brasil, uma em cada três crianças de cinco a nove anos está acima do peso. A projeção é que para 2025 a quantidade de crianças obesas chegue a 75 milhões, caso nada seja feito para combater os hábitos que levarão a estes números.

Veja um breve exemplo da rotina de uma família brasileira: Café da manhã com bebida láctea, cereal, suco de caixinha e pão com geléia. No almoço: lasanha congelada, arroz, batatas fritas e refrigerante. No meio da tarde: bolacha/bolinho Ana Maria com refrigerante ou suco de caixinha. Para o jantar, nuggets de frango ou macarrão instantâneo. Você reconhece este tipo de rotina alimentar?

Embora a expectativa de vida tenha aumentado entre os mais velhos, quem sofre agora com os maus hábitos é a geração futura. As causas podem ser várias: a tecnologia está cada vez mais atrativa para os pequenos, a falta de tempo e paciência dos pais para interagir com seus filhos e principalmente a má alimentação. A comida altamente processada, embora seja um atrativo para os dias corridos, se tornou um vilão silencioso. A praticidade está cobrando o preço!

“No Brasil, estamos vendo crianças e adolescentes com hipertensão e diabetes tipo 2, algo que não imaginávamos há uma ou duas gerações. Esta geração está desenvolvendo mais fatores de risco e um dos mais importantes é o aumento da obesidade e do sobrepeso em crianças”, diz a endocrinologista Claudia Cozer, diretora da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica).

Veja que situação alarmante: crianças com hipertensão e diabetes tipo 2! Ambos os casos podem ser facilmente combatidos nesta idade com algumas brincadeiras lúdicas e alimentação adequada. Segundo Cozer, cerca de 24% das crianças brasileiras estão acima do peso. A diretora-geral da OMS também alertou para o problema, apontando que, no mundo todo, 43 milhões de crianças em idade pré-escolar são obesas ou apresentam sobrepeso. “Pensem no que isso significa no decorrer da vida em termos de riscos para sua saúde e de custos com os cuidados durante toda a vida”, disse.

Outra pesquisa interessante também foi feita pela AVG Technologies em 2014 com famílias de todo o mundo. A pesquisa mostrou que “66% das crianças entre 3 e 5 anos de idade conseguia usar jogos de computador e 47% sabia como usar um smartphone, mas apenas 14% era capaz de amarrar os sapatos sozinha. No caso das crianças brasileiras, o levantamento apontou que 97% das crianças entre 6 e 9 usam a internet e 54% têm perfil no Facebook.”

A terapeuta canadense Cris Rowan, por exemplo diz que “a superexposição da criança a celulares, internet, iPad e televisão está relacionada ao déficit de atenção, atrasos cognitivos, dificuldades de aprendizagem, impulsividade e problemas em lidar com sentimentos como a raiva. Outros problemas comuns seriam a obesidade (porque a criança passa a fazer menos atividade física), privação de sono (quando as crianças usam as tecnologias dentro do quarto) e o risco de dependência por tecnologia.”

Recomendações

A Academia Americana de Pediatria e a Sociedade Canadense de Pediatria recomendam limites para a exposição das crianças a todo tipo de mídia (televisão, games, internet, smartphones etc.). Para essas entidades, o ideal é que apenas depois dos 2 anos de idade as crianças comecem a ter contato com esses aparelhos e por tempo limitado. Até os 5 anos, as crianças só deveriam ficar no máximo 1 hora diante das telas. O tempo aumenta para 2 horas para crianças de 6 a 12 anos e para 3 horas a partir dos 13 anos.

Embora a recomendação das entidades seja para as crianças, também se faz necessário alertar os pais sobre seus hábitos. Se alimentar de maneira adequada, praticar exercícios físicos regulares e diminuir o uso excessivos de smartphones, tablets e computadores em casa. Impor regras e não dar o exemplo pode ser visto pelos pequenos de forma negativa.

Abaixo segue uma dica muito bacana de documentário para os pais.

Documentário – Muito Alem do Peso.

 

Confira as diretrizes da OMS sobre o uso de aparelhos eletrônicos. Recomendações na íntegra segmentadas por faixa etária.